"REPARTIR COM OS DEMAIS POVOS O QUE TEMOS RECEBIDO COM FARTURA É O QUE DEUS ESPERA DE CADA UM, ESPECIALMENTE SE CONSIDERARMOS QUE ELE NOS ABENÇOA PARA QUE OUTROS TAMBÉM SEJAM ABENÇOADOS POR MEIO DAS BÊNÇÃOS QUE TEMOS ALCANÇADOS."

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

PALÁCIOS E TEMPLOS DOURADOS DE BANGKOK

Bangkok é o aeroporto mais importante do Sudeste Asiático e se tornou escala obrigatória na região. Se o viajante vai para Cambodia, Mianmar, Laos ou Vietnã, a capital tailandesa, com excelentes hotéis e atrações, é a melhor parada para se recuperar dos fusos horários.

Passamos um dia e duas noites em Bangkok. Consegui driblar o sono, fui dormir no horário local e venci as 9 horas de diferença. No dia seguinte, estava pronto para caminhar por templos que fazem nossa mente sonhar. Depois da visita ao mercado flutuante de Damnoen Saduak, fomos ao Grande Palácio Real.
 
© Haroldo Castro Bangkok, Thailand Três construções dentro do Grande Palácio, cada uma com sua arquitetura particular. À esquerda, a pagoda Phra Sri Rattana Chedi; ao centro, a biblioteca Phra Mondop e, ao fundo, a torre de Prasat Phra Thep Bidom.
Desde 1973, tenho visitado o Grande Palácio, no coração da cidade, pelo menos uma vez a cada dez anos. Sempre tenho a mesma impressão: as construções de tetos alaranjados e verdes e com decorações ponteagudas parecem novas, recém-pintadas, tinindo, tudo sem nenhuma mancha.
Os prédios, de tão bem cuidados, parecem que são atuais. Mas os primeiros templos e residências têm mais de 230 anos de idade, quando o rei Rama I transferiu a capital de Thonburi (do outro lado do rio Chao Phraya) para Bangkok. Desde 1925, o Grande Palácio deixou de hospedar a família real e a administração, mas continua sendo o palco real para recepções e cerimônias importantes.
O que mais me fascina nesta visita são os detalhes da decoração. Durante a tarde que passo no Palácio, me interesso mais pelas figuras insólitas de heróis com caras diabólicas do que nas grandes estruturas.
© Haroldo Castro Bangkok, Thailand 
 
Em um friso sob uma cúpola dourada de uma pagoda, dois guardiões parecem segurar o peso do santuário.
© Haroldo Castro Bangkok, ThailandA face de uma figura mitológica dourada, decorada com pedras coloridas, contrasta com os tetos laranjas e as decorações das estupas budistas.
© Haroldo Castro Bangkok, Thailand 
 
Um monge, com seu hábito alaranjado, perambula pelo Palácio, como que magnetizado pelo brilho das construções.
O santuário mais importante dentro do Grande Palácio – e talvez do próprio país – é o Templo do Buda de Esmeralda. Na realidade, Wat Phra Kaew é mais uma capela do que um templo, pois este não é habitado por nenhum monge. O único morador é uma figura de 66 cm que representa um Buda sentado em posição de meditação.
Talhado em uma só pedra de jade (não de esmeralda), a estátua teria sido criada na Índia há cerca de 2 mil anos e teria passado alguns séculos no Cambodia e no Laos, antes de chegar à Tailândia. Ela foi finalmente consagrada em 1782 pelo rei Rama I como protetora da nação. Nenhum ser humano pode tocar na figura preciosa, apenas o rei da Tailândia. É ele que troca a roupa dourada do Buda três vezes por ano.
© Haroldo Castro Bangkok, Thailand 
 
A estátua do Buda de Esmeralda é considerada como aquela que trouxe prosperidade ao país. O nome esmeralda se refere a cor verde, não à pedra preciosa.
© Haroldo Castro Bangkok, Thailand Ainda no Grande Palácio, no pavilhão Amarindra Vinichai, o trono real (o rei senta na poltrona vermelha, à esquerda).
Ao sul do Grande Palácio, Wat Pho é o Templo do Buda Deitado. Antes da fundação do santuário pelo rei Rama I em 1788, o local já possuía seus poderes mágicos: era uma escola de medicina budista, onde a massagem Thai tradicional teria sido criada. Desde 1962, uma escola de massagem funciona no lugar. O jardim é ornado com uma bela figueira, filhote da árvore baixo a qual Buda teria se iluminado.
O Buda Deitado é uma das maiores imagens existentes. Ele tem 15m de altura e 43m de comprimento, todo folheado a ouro. Seu braço direito segura sua cabeça e o sorriso nos lábios generosos emana serenidade. Observar o gigante dourado do chão e de uma perspectiva mais baixa, pretende dar a nítida impressão de que o ser humano é bem pequeno quando comparado aos assuntos espirituais.
© Haroldo Castro Bangkok, Thailand Wat Pho, o Templo do Buda Reclinado, não é um espaço oficial de peregrinação, mas todo tailandês faz questão de visitar o santuário.
© Haroldo Castro Bangkok, ThailandDentro do templo Wat Pho existem mais de 1.000 estátuas de Buda espalhados pelos corredores.

Canais fluviais formam mercado flutuante e fertilizam o solo

Mas os pontos turísticos continuam os mesmos. Com tantos palácios e templos espalhados pela cidade, é natural que a lista atual dos lugares a serem visitados seja bem parecida com a dos must-see de 40 anos atrás. Um dos principais atrativos era – e continua sendo – o mercado flutuante. Tenho uma história engraçada sobre isso.
© Haroldo Castro
 
O mercado flutuante Damnoen Saduak é um dos mais famosos da região de Bangkok.
Em agosto de 1973, recém-chegado em Bangkok, estávamos hospedados – graças a um super- desconto – no magnífico Oriental Hotel, às margens do rio Chao Phraya. Para a primeira manhã, tínhamos decidido visitar o mercado flutuante de Damnoen Saduak. Eu sonhava com a possibilidade de fotografar canoas repletas de frutas e de legumes; tudo esbanjando muita cor, como mostravam as raras imagens que anunciavam o passeio. Mas para ir ao mercado seria necessário acordar bem cedo pois os vendedores realizavam as vendas e as compras antes do sol forte.
Com a preguiça nata dos quase-adolescentes, decidimos adiar a visita e dormir um pouco mais. Apenas, mais um pouco. Às 7h30 fomos acordados por um pequeno tailandês apavorado entrando no quarto e gritando fire, fire. Sim, o hotel estava pegando fogo! Em duas idas e voltas, sob os esguichos de água, conseguimos salvar nossos pertences e fomos parar com roupas e câmeras no pátio da piscina. Depois do susto vimos os bombeiros perderem a luta contra o fogo: a parte antiga do Oriental, que datava de 1888, havia sido destruída.
Naquela manhã, se tivéssemos saído bem cedinho para ver o movimento comercial das canoas, ao retornar não teríamos mais roupas e nem malas. Proteção divina? Omega Megog em ação? Talvez. O fato é que as imagens das canoas repletas de cores passaram a me remeter automaticamente ao episódio do fogo no Oriental Hotel.
Assim, visitar o mercado flutuante de Bangkok transformou-se, ao decorrer das décadas, em um mito para mim, quase uma missão impossível. E, apesar de ter ido a Tailândia 10 vezes, nunca mais pensei em visitar o local. Afinal, poderia sair do hotel e, ao regressar, encontrar tudo queimado…

Foram necessárias quatro décadas para espantar o fantasma!
Recentemente, acompanhando um grupo de fotógrafos amadores, acabei conhecendo o mercado flutuante Damnoen Saduak – o mesmo que eu deveria ter ido no dia do incêndio. Por estar a 110 km a oeste de Bangkok, levamos duas horas para sair do asfalto e ver um pouco de água.
A troca do ambiente é um alívio. Deslizando em longas canoas para quatro passageiros, compreendi imediatamente a geografia da região. Um emaranhado de canais fluviais, sempre em formas retangulares, criam uma enorme área, fartamente irrigada e fértil. À medida que percorremos as plantações, observo atentamente as árvores frutíferas e as hortas produtivas.
Chegamos a um vilarejo. Aqui os quarteirões não são marcados por ruas transversais, mas pelas vias fluviais. Dezenas de canoas repletas de produtos perambulam pelos canais. O vendedor, com um remo na mão, escolhe onde encostar para oferecer sua colheita. Todas as frutas e os legumes plantados nas imediações acabam em algum barquinho. Do produtor direto ao consumidor, de barquinho.
© Haroldo Castro Uma senhora, de dentro de sua canoa, vende mangustão, longan, bananas e mangas.
© Haroldo Castro Rambutão (da mesma família que a lichia) e fruta-do-conde (ou pinha) são comercializados no mercado.
© Haroldo Castro Nabos, pimentas, acelgas e outros vegetais frescos são vendidos nos canais de Damnoen Saduak.
© Haroldo Castro Uma vendedora, com seu chapéu tradicional de bambu, percorre os canais oferecendo flores colhidas em sua chácara.
© Haroldo Castro Mini panquecas com coco são preparados em uma chapa quente nesta canoa-cozinha flutuante.
Os canais cortados em ângulos retos não são obras da natureza, mas sim da vontade do rei Rama IV que, em 1866, decidiu abrir centenas de vias fluviais. Seu plano deu certo: além de facilitar o transporte na província de Ratchaburi, a água abundante tornou a terra bem mais produtiva.
O mercado flutuante Damnoen Saduak é uma armadilha para turistas
 
Alguns leitores mencionaram que suas experiências no local foram negativas. Não pretendo discordar deles. Entretanto, serei sincero: o que eu e uma dúzia de brasileiros vimos há poucas semanas, foi positivo. Posso garantir que reconheço um tourist trap no primeiro segundo. Assim, mesmo sabendo que este mercado é visitado há mais de meio século, não encontrei nada nele que me mostrasse algum tipo de falsidade ideológica!

Precisamos, antes, definir o que é uma armadilha para turistas.
Considero que qualquer atividade que seja falsa por essência, com roupas e disfarces inadequados, que produza qualquer ação “faz-de-conta” ou que force os turistas a comprar isso ou aquilo é um tourist trap. Os camelos aos pés das Grandes Pirâmides ou os encantadores de serpentes na praça Djemaa el-Fna são, de fato, armadilhas para hordas de turistas, os quais acham que a realidade é aquela! Tenho milhagem para sacar este cheiro de longe.
Nada disso aconteceu quando estivemos em Damnoen Saduak. Ao chegar, encontramos uma dúzia ou mais de canoas repletas de frutas e legumes. As vendedoras passeavam tranquilamente, algumas encostando nas margens, outras remando. Ninguém forçava a barra ou gritava para vender seus produtos, como sucede geralmente quando estamos em uma verdadeira armadilha para turistas.
As senhoras das canoas comercializavam seus produtos diretamente com os próprios habitantes da região que estavam em terra firme ou, em alguns casos, entre elas mesmo, de canoa a canoa. Vi uma cena linda quando duas senhoras trocaram seus produtos, sem desembolsar nenhum bath: uma deu um buquê de flores, a outra, em troca, passou-lhe um punhado de frutas. A vendedora de mini panquecas fez muito mais grana com os locais do que conosco. Sim, comprei uma porção de 10 panquequinhas com coco, mas elas me custaram apenas 20 bath ou 1 real. Se estivéssemos em um tourist trap, o preço seria, no mínimo, 100 ou 200 bath!
Outro detalhe importante: todas as canoas — com frutas, legumes, condimentos, água mineral, bebidas, comidinhas etc — eram originais, ninguém estava ali vendendo de mentirinha, no faz-de-conta. Um absurdo pensar que os produtos comercializados não foram produzidos na região. Bobagem. Vimos dezenas e dezenas de chácaras produtivas, com frutos nos pés das árvores e verduras nas hortas. Não se tratava de uma encenação, esta é a vida real dos habitantes da província de Ratchaburi.
Mas tamanha é a divergência de experiências, que preciso encontrar uma explicação. Acredito que seja uma questão de timing. Saímos de Bangkok com atraso, paramos na pagoda de Nakhon Pathom por uma hora e só chegamos no mercado flutuante às 11h15. Até estranhei o fato de que não havia nenhum outro turista ocidental no local, mas sim, estávamos sozinhos. Assim, imagino que a muvuca diária tenha acontecido duas ou três horas antes e, quando os brasileiros atrasados chegaram ao local, todos os estrangeiros haviam partido e reinava paz. Quem já foi a Machu Picchu sabe que o melhor momento para visitar o lugar é antes das 10h (quando o trem de turistas chega) ou depois das 16h (quando o trem parte). Durante as seis horas no meio do dia, as ruínas ficam insuportáveis. O mesmo deve ter acontecido conosco: depois das 11h todos os estrangeiros já haviam ido embora e as canoas que estavam lá exerciam suas funções normais. Sorte nossa! E vale como dica: se você for visitar armadilhas turistas, evite a hora do rush!

Um comentário:

  1. Your style is really unique compared to other folks I've read stuff from. Thanks for posting when you've got the opportunity, Guess I'll just book mark this web site.
    Also see my website - vuelos a bangkok

    ResponderExcluir

Seu comentário é muito importante, faça-o aquí.