"REPARTIR COM OS DEMAIS POVOS O QUE TEMOS RECEBIDO COM FARTURA É O QUE DEUS ESPERA DE CADA UM, ESPECIALMENTE SE CONSIDERARMOS QUE ELE NOS ABENÇOA PARA QUE OUTROS TAMBÉM SEJAM ABENÇOADOS POR MEIO DAS BÊNÇÃOS QUE TEMOS ALCANÇADOS."

terça-feira, 31 de julho de 2012

VIAJANDO PARA A ILHA DE BALI E BANG KOK DE VOLTA AO BRASIL

EMBARCANDO DO TIMOR LESTE PARA BALI
ENTRADA DO AEROPORTO DE BALI

Estátua de Gatot Kaca e Karna, da Guerra Baratayudha. Grandioso monumento na entrada do Aeroporto de Bali.

A Ilha de Bali, é uma das quase três mil ilhas da Indonésia. Bali, é um dos belissímos destinos aéreos quando saímos de Timor-Leste. Saindo do Timor para Bali são vôos diários pela empresa Indonésia Merpati e uma passagem de ida e volta custa 340 dólares americanos. Existe uma alternativa que é ir de Dili até Koupang na Indonésia de ônibus (30 dólares e 12 horas de viagem) e de Koupang para Bali a passagem aérea de ida e volta custa 200 dólares americanos e é uma boa para quem quer economizar dinheiro, mas as 12 horas de viagem encoraja qualquer um.


     Kuta Beach - Presença Mulçumana em Bali

Kuta Beach - Presença Mulçumana em Bali Fim de ano e feriados mulçumanos é muito difícil conseguir hotel em Bali e os que têm quarto disponível, inflacionam em até 1000% o valor do quarto. Então se pretendes ir a Bali em períodos de alta temporada ou em alguma data que coincida com um feriado mulçumano é bom reservar um quarto de hotel com uns 2 meses de antecedência afim de evitar ter que ficar procurando quarto de hotel em hotel. Uma boa dica é o hotel Masa inn em Kuta Beach. É um hotel bem localizado, fica na Popies Lane II, a 5 minutos da praia e próximo aos principais shoppings e lanchonetes, como Mac Donalds, KFC e Pizza Hut. Os quartos do Masa Inn são novos, e são equipados com banheira, refrigerador, TV a cabo e cofres de segurança. A diária em um quarto duplo sai em média por 40 dólares americanos. Vizinho ao Masa Inn existem outros bons hoteis, mas simples que o Masa Inn, que de quebra tem 2 piscinas. Em geral os Hotéis contam com um bom café da manhã, que já está incluso na diária.

Os taxis em Bali são muito baratos. A maioria é equipado com taxímetro, mas a maioria dos taxistas preferem combinar o preço da corrida antes. Se for apanhar um taxi no aeroporto, não pegue taxis na rua, procure um guichê de taxi na saída do desembarque do aeroporto. Eles trabalham com o preço tabelado dependendo do seu destino. Do aeroporto para Kuta Beach, paga-se o equivalente a 5 dólares ou 50 mil ruphias. A maioria dos estabelecimentos em Bali só aceita a Ruphia Indonésia, então é necessário trocar seu dinheiro para a moeda local, inclusive para pagar o taxi. A taxa de câmbio no aeroporto de Bali é bem mais baixa que na cidade, então troque somente o necessário para chegar lá, ou seja, cerca de 10 dólares. É muito fácil trocar dinheiro em Bali, em cada esquina da cidade existe um quiosque de câmbio, então vale a pena pesquisar a melhor taxa e os lugares que não cobram taxa pelo câmbio. O melhor lugar que encontrei para fazer o câmbio foi na Poppies Lane II mesmo, próximo ao Mac Donalds. Só mais uma observação em relação a troca de dinheiro, as cédulas de 100 valem mais que as outras cédulas. Existe uma tabela diferenciada para cédulas de 100, para cédulas de 50 e cédulas de 20, 10, 5 e 1 dólar. Outra observação é que só são aceitas cédulas da série 2006 e o real brasileiro não é aceito.


Um ótimo roteiro para passear em Bali é: Barong Dance, Celuk, Monkey Forest, terraços de arroz de Tegallantang, Kitamani Volcane e Lake Batur, restaurante Beside Volcane, Mother Temple, Uluwatu (Monkey Temple). Kawasan Luar Pura Taman Ayun (Templo da Família Real) e Tanah Lot.

Em Bali os passeios turísticos funcionam de duas formas, ou você aluga um carro e vai conhecer os lugares ou então vai a uma das centenas de agência de turismo e combina o preço para os lugares que quer conhecer. Em relação a combinar o preço em Bali, você pode pechinchar o preço de qualquer coisa. Tipo eles lhe oferecem uma mercadoria ou serviço por um preço X, você consegue pagar dependendo do vendedor e de seus argumentos até X/3. Faz parte da cultura hindu, gostar de negociar os preços e em Bali 50% da população é Hindu.

Templo da Família Real Os motoristas indonésios falam muito bem o inglês e quando descobrem que somos brasileiros começam a falar sem parar. Passeio ao templo da Família Real. Bali era uma monarquia, com a proclamação da República na Indonésia o Rei de Bali perdeu o trono, mas o respeito do povo pelo Rei continuou. O Kawasan Luar Pura Taman Ayun ou Templo da Família Real é uma construção Hindu, com uma bela fonte e um gramado na frente e é cercado por duas grandes lagoas. Após passar por um portal, você entra na região do templo. Proibição da entrada de mulheres mestruadas no Templo da Família Real

O acesso ao interior do Templo só é permitido a Hindus com trajes típicos, então nós turistas temos que nos contentar com a visão por cima do muro. Ao contrário de outros guias, o nosso permaneceu no carro e tivemos que nos virar para entender o que era cada coisa no templo. Uma coisa nos chamou a atenção na entrada desse templo, uma placa informava que era proibida a entrada de mulheres menstruadas, não entendi a razão.

A PLACA DIZ EM BAHASA INDONÉSIO QUE É PROÍBIDO ENTRADA DE MULHERES MENSTRUADAS NO TEMPLO REAL.



TEMPLOS DA FAMÍLIA REAL

A Floresta dos Macacos é outra dica de um excelente passeio. Da primeira vez que estive em Bali, não tive oportunidade de conhecer este lugar, desta vez não perdemos a oportunidade.

Antes de chegarmos a Floresta o motorista tinha nos avisado que seu irmão estava lá e que iríamos conhecê-lo, pensamos então que ele trabalhava lá. Ao final do passeio, perguntei onde estava o irmão dele, ele falou que eram todos os macacos. Eu o olhei sem entender nada, aí ele nos explicou que de acordo com a cultura hindu, as pessoas descendem dos macacos e por isso os macacos eram irmãos dele. Floresta dos macacos A floresta dos macacos na verdade era um templo cercado por um grande muro, onde centenas de macacos ficavam soltos esperando para ser alimentados pelos turistas. Do lado de fora da floresta uma grande feira de souvenires foi formada.

Ao contrário do Templo da Família Real, tivemos que pagar para entrar na Floresta. Muitas pessoas vivem da exploração turística de pontos religiosos em Bali. Assim que pagamos, uma senhora aproximou-se de nós e começou a caminhar junta conosco, então deduzimos que ela era uma guia do local. Mais uma vez nosso motorista ficou no carro. Ela nos mostrou onde estavam os macacos, tirou fotos nossas, nos levou ao templo que fica no interior da floresta e nos mostrou uma árvore repleta de morcegos gigantes. Mais a frente um senhor tinha montado uma barraca com uma gaiola cheia de morcegos gigantes.


FLORESTA DOS MACACOS

Os turistas podiam pagar para tirar fotos segurando os morcegos. Tirei fotos com os enormes morcegos. Logo depois bateu o arrependimento. Que tipo de tratamento aqueles morcegos recebiam?! Percebemos depois que eles tinham as asas quebradas para não voar e os turistas poderem segurá-los. Os macacos pareciam bem tratados, mas os morcegos daquela barraca não. Nós só incentivamos que aquele homem continuasse com aquele tratamento cruel.

Na saída da floresta, percebemos que na verdade nossa guia era uma vendedora e ela queria como pagamento que fôssemos visitar sua barraca de souvenires. Fomos e compramos 1 blusa, achei justo pela ajuda que ela nos prestou. Barraca para turistas tirarem fotos com os morcegos Gigantes Árvore repleta de morcegos gigantes


BARRACA COM MORCEGOS PARA TURISTAS TIRAREM  FOTOS

ARVORE REPLETA DE MORCEGOS GIGANTES

Para finalizar o passeio, fomos ao Tanah Lot, um famoso templo de Bali. Localizado dentro do mar, o templo é repleto de turistas. Como na Floresta dos macacos, para entrar no Tanah Lot é necessário pagar.

Logo na entrada existe uma feira de souvenires que lembra mais um grande mercado público. Logo adiante existe um portal e descendo alguns degraus chegamos à praia. A esquerda fica no alto de uma montanha que entra no mar, um grande templo hindu que recebe o nome do lugar. Ficamos lá até o pôr do sol.

POR DO SOL EM BALI


Com certeza Tanah Lot foi o lugar mais bonito de Bali que eu conheci.


TANAH LOT

TEMPLO DE TANAH LOT


Tanah Lot Pôr do sol em Tanah Lot Turistas na entrada de uma das cavernas do Tanah Lot


TURISTAS FRENTE A ENTRADA DA CAVERNA DE TANAH LOT

Voltamos para o nosso hotel e o motorista não quis nos deixar na porta do mesmo, alegando que era feriado hindu naquele dia (dia do ser humano) e que a rua estaria interditada. Deixou-nos há uns 2 km do hotel e tivemos que fazer o percurso a pé e para nossa surpresa a rua não estava interditada. Acertamos com o motorista do passeio para nos apanhar no dia seguinte em nosso hotel e nos levar para o aeroporto. Como de costume ele chegou 30 minutos adiantados e ainda não estávamos prontos, ele teve que esperar. Ele nos cobrou cerca de 6 dólares até o aeroporto. Não achei caro, pois teríamos que andar com as malas em busca de um taxi que nos cobraria no mínimo o equivalente a 5 dólares. A distância de Kuta Beach é cerca de 5 kms e dependendo do trânsito é possível fazer o percurso em 10 minutos.

Na alta estação e em horários de pico essa mesma distância é percorrida em até 1 hora. Usando o taxímetro até o aeroporto, saindo de Kuta Beach você pagará no máximo 3 dólares, mas é difícil encontrar um taxista que aceite.

EMBARCANDO EM BALI PARA BANGKOC (THAILANDIA).

O vôo foi pela empresa AirAsia. Mas, antes do embarque, algumas coisas aconteceram: Eu não sabia que ao embarcar na Indonésia: a taxa aeroportuária não estaria incluída na passagem aérea e deveria ser paga após o Che-ckin. Não existe nenhum aviso no aeroporto sobre o pagamento dessa taxa e como a maioria dos passageiros está acostumada a não pagar mais nada depois que compra as passagens, muitos acabam trocando suas rupias indonésias por dólares americanos, antes do embarque, ou alguns nem fazem previsão no orçamento para essa despesa e acabam no momento da saída da Indonésia tendo problemas.

A taxa aeroportuária custa 150000 rupias indonésias, mas pode ser paga em dólares americanos, vai valer a taxa de câmbio deles. 150000 Rupias Indonésias valem mais ou menos 15 dólares americanos. Após pagar a taxa do aeroporto e passarmos pela emigração, fomos para o portão de embarque, antes, porém passei no banheiro para lavar o rosto, já que o cheiro forte de incenso do Aeroporto de Bali não estava me fazendo bem.

Durante as viagens costumo carregar grandes quantidades de dinheiro, mas naquela oportunidade, eu estava usando uma espécie de "doleira" para guardar dois mil dólares que um amigo, que trabalhava na Visão Mundial, em Timor Leste, me pedira para trazer ao Brasil para a esposa dele. Antes de lavar o rosto, para não molhar a "doleira", tirei-a e a coloquei em um cabide na parede. Sai do banheiro e por não está nada bem devido ao cheiro do incenso, esqueci a “doleira”. Fui normalmente para o portão, passei no raio-x e quando fui guardar o passaporte, foi quando me dei conta de que a havia esquecido. Gelei na mesma hora, todo o dinheiro para minha viagem e meu passaporte estavam ali. Expliquei aos oficiais da polícia indonésia que precisava sair do portão de embarque pois havia esquecido minha carteira no banheiro e sai correndo. Minha esperança era que ninguém houvesse entrado no banheiro após eu sair.

Graças a Deus, a “doleira” estava no mesmo lugar que eu havia deixado. Voltei aliviado para o portão, dessa vez passei direto pelo raio-x e fui o alvo de admiração dos policiais indonésios que diziam que eu tinha muita sorte.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

TEMPLOS DE ANGKOR (CAMBOYA



Instantáneas de los más importantes templos de Angkor. Sin duda, constituyen una de las mayores obras llevadas a cabo por el ser humano. Durante siglos fueron abandonados y hasta el año 2004 han corrido peligro de desaparición. Hoy vuelven a ser restaurados con esfuerzo a pesar de la crisis

quarta-feira, 18 de julho de 2012

AS TRIBOS DO VALE DO RIO OMO - ETIOPIA



O Baixo Vale do Omo é uma área de uma beleza espetacular com diversos ecossistemas, incluindo pastagens, afloramentos vulcânicos, e uma das poucas matas fluviais prístinas remanescentes na região semi-árida da África que suporta uma grande variedade de vida selvagem.

Os Bodi (Me’en), Daasanach, Kara (ou Karo), Kwegu (ou Muguji), Mursi e Nyangatom vivem ao longo do Omo e dele dependem para sua subsistência, tendo desenvolvido complexas práticas sócio-econômicas e ecológicas adaptadas para as condições adversas e muitas vezes imprevisíveis do clima semiárido da região. 

A inundação anual do rio Omo alimenta a rica biodiversidade da região e garante a segurança alimentar das tribos especialmente porque a precipitação é baixa e irregular. Eles dependem dela para praticar um sistema de cultivo que depende da retirada da inundação, no qual utilizam o rico lodo que se forma pelo lento recuo das águas ao longo das margens do rio. Eles também cultivam sorgo, milho e feijão nas planícies de inundação. Algumas tribos, em particular os Kwegu, caçam e pescam. Bovinos, cabras e ovelhas são vitais para a subsistência da maioria das tribos, produzindo sangue, carne, leite e peles.

O gado é altamente valorizado e utilizado no ‘pagamento’ de noivas. Eles são uma importante defesa contra a fome quando as chuvas e as colheitas sao fracas.

Em certas temporadas, famílias viajam para acampamentos temporários para fornecer novas pastagens para o gado, sobrevivendo de leite e sangue providos pelos bovinos. Os Bodi cantam poemas para seus gados favoritos. Hamar girls, Ethiopia.

Outros povos, como os Hamar, Chai e Turkana, vivem mais longe do rio, mas uma rede de alianças inter-étnicas significa que eles também podem acessar as planícies de inundação, especialmente em tempos de escassez.

Apesar dessa cooperação, há conflitos periódicos, quando as pessoas competem por recursos naturais. Como o governo tomou muitas terras tribais, a competição por recursos escassos tem sido intensificada. A introdução de armas de fogo fez os combates inter-étnicos mais perigosos.

O LUGAR MAIS QUENTE DA TERRA



O Deserto de Afar

O fascinante deserto de Afar é conhecido como o lugar mais quente do planeta. O deserto Afar não tem nada que ver com outros desertos como o Saara, já que em vez de areia, está cheio de sal (porque antigamente foi um lago enorme).

O fato de estar coberto de sal cria um cenário todo branco e fascinante. Fica no Nordeste de África e estende-se a quatro países: Eritreia, Etiópia, Jibuti e Somália. Os seus habitantes mais importantes são os Danaquil (ou Afares), de origem etíope, e os Issas, de origem somali. Estão divididos em centenas de tribos.

Os Afares e os Issas podem ser classificados em três grupos: pastores agricultores, que cultivam a terra junto das fontes de água e criam animais; pastores nómadas, que circulam com os rebanhos por terras onde haja erva; e os que optaram por viver nos centros urbanos.

Os agricultores cultivam sorgo, milho, trigo, sésamo, favas, batata-doce, bananas, melão e algodão.



Os pastores criam camelos, ovelhas, cabras, cavalos e burros.

Os Afares Os Afares são perto de dois milhões. Mais de metade vive no Leste da Etiópia. Cerca de 600 mil habitam no Sul da Eritreia; outros 600 mil ocupam todo o Jibuti, e uma minoria – cerca de 60 mil – moram na Somália.

Este povo permanece nestes lugares há pelo menos 2800 anos. Eles foram os que sofreram mais com a independência da Eritreia em relação à Etiópia, e do Jibuti com respeito à Somália, porque esse facto dividiu famílias.

A sociedade afar divide-se em duas classes: os «Asaemara» são a nobreza, a classe dominante, os políticos, e os «Adaemara» são o «povo».



A maioria é nómada. Vivem da criação de gado: ovelhas, cabras, vacas e camelos. Alguns dedicam-se à extracção de sal. Um afar para ser notável deve cumprir dois requisitos: ser um guerreiro forte e vingador e ter gado.

A vingança é uma prova de honra e a maior demonstração de valor viril. As mulheres afares desprezam os pretendentes que nunca mataram um homem. Elas desejam alguém que ostente um bracelete de ferro, sinal indicador de que matou dez inimigos.

Por outro lado, um adulto que não tem gado é um homem de pouco valor: ninguém dá importância à sua palavra. A opinião tem mais força e dignidade consoante o tamanho do rebanho.

Todos os acontecimentos importantes da vida social – nascimentos, iniciações, casamentos, alianças, mortes e sucessões – implicam doações, intercâmbios ou sacrifícios de gado.

A iniciação dos rapazes é a circuncisão e a das raparigas é a excisão (mutilação sexual feminina). Os matrimónios são monogâmicos em geral. Os mais ricos podem ter mais mulheres. As jovens são dadas em matrimónio a partir dos dez anos. De preferência, os noivos são primos. Os pais do noivo pagam o dote da noiva.

Os Afares constroem as casas com estacas de madeira, erva seca e folhas de árvores. Tem um formato oval. As camas são esteiras. Montar o acampamento é responsabilidade das mulheres. Quando viajam, todo o material é carregado pelos camelos. Uma cerca com espinhos rodeia o acampamento, para prevenir os ataques de animais selvagens ou dos inimigos.

A carne, a manteiga e o leite são os principais alimentos dos Afares. O leite é um ingrediente importante na tradição da hospitalidade. Quando se dá leite quente a um hóspede, o anfitrião assegura-lhe total protecção e se, porventura, ele for assassinado, a sua morte é vingada como se fosse a de um membro do clã.

Os Afares converteram-se ao Islão no século X, depois do contacto com os árabes. Todavia, mantém alguns traços das religiões naturais. Por exemplo, crêem que certas árvores têm poderes sagrados.

Em certos ritos ungem os corpos com uma espécie de manteiga. Atribuem um grande poder aos restos mortais das pessoas e, todos os anos, celebram a festa dos mortos, chamada «Rabena». Muitos levam amuletos de coro ao pescoço que contêm ervas e versos do Alcorão.

Os Issas Quinze milhões de issas vivem espalhados por oito países no Nordeste de África. Nove milhões vivem na República da Somália, dois quais dois milhões são nómadas.

Na Etiópia vivem entre três e cinco milhões. Habitam em tendas feitas de peles e couros presos em varas de madeiras curvas. O curral dos animais fica perto das casas. São as mulheres que montam o acampamento que congrega a família alargada. No caso de poligamia, cada mulher tem uma tenda. O número de divórcios é elevado. A custódia dos filhos é decidida segundo os sexos: os pais ficam com os filhos e as mães com as filhas. O primogénito da primeira esposa é quem herda a chefia. Em caso de guerra, o conselho dos chefes de família escolhe um líder para a ocasião. Quando viajam, levam as estacas, a pele, o couro e outras madeiras nas costas de camelos. Quando encontram um local para se instalar, agrupam-se e fazem ao redor da área uma cerca com arbustos torcidos e espinhos. São um dos grupos mais homogéneos de África: falam uma língua comum, professam o Islão como única fé e partilham a mesma herança cultural.

Cada clã issa identifica-se através da ligação a um antepassado comum e por ocuparem sempre os mesmos terrenos. A existência de poços é que dita a escolha destas propriedades. As mulheres e as crianças pequenas cuidam das ovelhas e cabras, enquanto os homens e os rapazes mais crescidos apascentam os camelos e as vacas. Deles retiram o leite, o seu principal alimento. A carne é só para ocasiões especiais. As crianças aprendem a história e as tradições do povo através da poesia.

Os Issa têm uma memória extraordinária e cantarolam contos folclóricos para se divertir nas longas caminhadas durante a noite. A seca, a fome e a guerra têm dispersado muitos para os países vizinhos e dividido os seus lares. Os que fugiram para o Iémen e a Etiópia enfrentam mais guerra, mais pobreza e mais rivalidade entre os clãs. A esperança de vida é de 46 anos.

Outras tribos Na Eritreia, além dos Afares, vivem uns 107 mil Bejas. Eles foram os primeiros pastores de África (2700 a. C.). São hospitaleiros e gentis com os outros clãs mas facilmente litigam com os estrangeiros.

Seguem um «islamismo popular», que é uma mistura da fé islâmica com as suas crenças tradicionais. Contêm tribos menores, como os Ababde, Hedareb, Bisharin e os Hadendoa. No Centro deste país moram os Tigrinya e os Bilen; no Norte – e Nordeste da Etiópia –, os Tigre; no Sudoeste, os Saho, os Kunama e os Nara; e, no Noroeste, os Rashaida.