"REPARTIR COM OS DEMAIS POVOS O QUE TEMOS RECEBIDO COM FARTURA É O QUE DEUS ESPERA DE CADA UM, ESPECIALMENTE SE CONSIDERARMOS QUE ELE NOS ABENÇOA PARA QUE OUTROS TAMBÉM SEJAM ABENÇOADOS POR MEIO DAS BÊNÇÃOS QUE TEMOS ALCANÇADOS."

domingo, 30 de dezembro de 2012

PORQUE A ÍNDIA TRATA TÃO MAL SUAS MULHERES?

Esta eh a foto real da menina que foi estuprada e torturada com um cano de ferro.
Estrupro e morte de estudante traz à tona a difícil realidade do país, considerado o pior para se nascer mulher em todo o mundo.
 
Muitos a chamaram de "coração valente" ou "filha da Índia". Mais do que motivar uma onda de orações e protestos em todo o país, a estudante de 23 anos morta no sábado após ser estuprada por seis homens em um ônibus em Nova Déli fez o país se perguntar: "Por que a Índia trata tão mal as suas mulheres?".
No país, não são raros os casos de aborto de fetos femininos, assim como os de assassinato de meninas recém-nascidas. A prática levou a um assombroso desequilíbrio númerico entre gêneros no país.
As que sobrevivem enfrentam discriminação, preconceito, violência e negligência ao longo da vida, sejam solteiras ou casadas.
Cerca de 24 mil mulheres foram estupradas na Ìndia só em 2011 (Foto: Reuters)Cerca de 24 mil mulheres foram estupradas na Ìndia só em 2011 (Foto: Reuters)
TrustLaw, uma organização vinculada à fundação Thomson Reuters, qualificou a Índia como o pior lugar para se nascer mulher em todo o mundo.
E isso se dá em um país no qual a líder do partido do governo, a presidente da Câmara de Deputados, três importantes ministras e muitos ícones dos esportes e dos negócios são mulheres.
Crimes em alta
Apesar do papel mais importante desempenhado pelas mulheres no país, crimes de gênero estão em alta na Índia. Em 2011 foram registrados 24 mil casos de estrupo - 17% só na capital, Nova Déli. O número é 9,2% maior do que no ano anterior.
Segundo os registros policiais, em 94% dos casos os agressores conheciam as vítimas. Um terço desses eram vizinhos. Parte considerável era de familiares.
E não se tratam apenas de estupros. Segundo a policía, o número de sequestros de mulheres aumentou 19,4% em 2011 (em relação ao ano anterior). O aumento dos casos assassinato foi de 2,7%, nos de torturas, 5,4%, nos de assédio sexual, 5,8%, e nos de violência física, 122%.
Discriminação mortal
Segundo Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia de 1998, mais de 100 milhões de mulheres desapareceram ou foram mortas em todo o mundo vítimas da discriminação.
De acordo com os cálculos dos economistas Siwan Anderson e Debraj Ray, mais de dois milhões de indianas morrem a cada ano: cerca de 12% ao nascer, 25% na infancia, 18% em idade reprodutiva e 45% já adultas.
O estudo mostrou que mais mulheres morrem na Índia por ferimentos do que por complicações no parto. E esses ferimentos seriam um indicador da violência de gênero.
Outro dado estarrecedor é o de 100 mil mulheres mortas por queimaduras. Segundo os dois economistas, boa parte delas são vítimas de violência relacionada ao pagamento de dotes matrimoniais. Não raro, os agressores queimam as mulheres.
Sociedade patriarcal
Para os analistas, é preciso uma mudança estrutural nas atitudes da sociedade para que as mulheres sejam mais aceitas e tenham mais segurança na Índia.
O preconceito de gênero é reflexo de uma sociedade de tradição patriarcal, ainda mais forte no norte do país.
Para os manifestantes que saíram às ruas após o estupro da jovem estudante de medicina, os políticos, inclusive o primeiro-ministro Manmohan Singh, não são sinceros quando prometem leis mais duras contra a violência de gênero.
Eles ainda questionam o fato de que 27 candidatos nas últimas eleições regionais eram acusados de estupro. Além disso, seis deputados respondem pelas mesmas acusações. Como crer, então, na classe política?
Ainda é cedo para saber se o governo realmente concretizará suas promessas de leis mais duras e julgamentos mais ágeis em casos de estrupo. Os protestos em Nova Déli, no entanto, parecem trazer alguma esperança de que algo poderá mudar, para o bem das mulheres indianas.
 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CONHEÇA A CAPITAL BRASILEIRA - BRASILIA

Brasília começou a ser planejada e desenvolvida em 1956.
Foram desenhados diversos “planos-pilotos” antes da aprovação do projeto do urbanista Lúcio Costa. No formato de avião, o Plano Piloto de Costa levava em conta o relevo da região e o contorno do Lago Paranoá.
Com mais de 2,5 milhões de habitantes, Brasília é a quarta cidade mais populosa do Brasil.
Brasília é uma das unidades do Distrito Federal que, vale lembrar, é dividido em regiões administrativas (o que equivalente a municípios). As mais conhecidas regiões administrativas são: Gama, Planaltina, Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho e Paranoá.
Você sabia que os moradores de Brasília não elegem prefeito? Lá, só existe voto para deputado, senador, governado e presidente. Se é assim, quem ocupa o lugar do prefeito? O governador do Distrito Federal. ]
Brasília abriga 124 embaixadas estrangeiras.
Os brasilienses também costumam ser chamados pelo apelido de candangos.
Em 1956, o governo de Juscelino Kubistchek criou uma empresa chamada Novacap com o objetivo de construir a nova capital do Brasil.
As celebrações de inauguração da cidade começaram com uma missa, seguida de discursos, baile e muita festa. Conta-se que Juscelino Kubistchek chorou durante a missa de inauguração.
A inauguração da nova capital foi saudada pelo então papa João XXIII através do rádio.
Em seus primeiros dias, Brasília atraiu dezenas de turistas que, vindos de ônibus de várias partes do país, queriam conhecer a nova capital.
O lago Paranoá nasceu do represamento de um rio da região, chamado rio Paranoá.
Os projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer atraem milhares de turistas para a capital todos os anos.
Dados do ano 2.000 indicavam que mais da metade da população de Brasília era formada por imigrantes - ou seja, a maioria dos brasilienses não nasceu lá.
Entre as cidades-irmãs de Brasília estão Washington (Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina), Lisboa (Portugal), Doha (Qatar), Roma (Itália), Lima (Peru), Santiago (Chile), Sidney (Austrália) e Berlim (Alemanha).
Brasília é a terceira cidade mais do Brasil.
O Plano-piloto de Brasília foi, ao lado de Olinda, Ouro Preto e Rio de Janeiro, oficializado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Brasília está localizada a 1.000 metros acima do nível do mar, numa região plana conhecida como Planalto Central.
Uma das sedes da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014 será o Estádio Nacional de Brasília (cujo nome correto é Estado Nacional de Brasília Mané Garrincha).
A primeira ligação telefônica de Brasília foi feita por Juscelino Kubistchek.
A Esplanada dos Ministérios é formada por 17 edifícios.
A Praças dos Três Poderes é assim chamada por ser sede do Poder Judiciário (Supremo Tribunal Federal), Executivo (Palácio do Planalto) e Legislativo (Congresso Nacional).
A Catedral de Brasília, principal templo católico da capital chama-se, na verdade, Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida.
 
 

sábado, 15 de dezembro de 2012

PAPUA NOVA GUINÉ - UMA CULTURA QUE PAROU NO TEMPO




Revista Época
 
UM PAÍS DE MEIA ILHA
Acima da Austrália, a Ilha da Nova Guiné é a segunda maior do mundo. A oeste fica a província Papua, da Indonésia. No leste fica um país independente, a Papua Nova Guiné

Cinco homens fortes carregam um pesado porco que esperneia. Eles usam apenas tapa-sexo de palha. Sua cabeça está ornada com plantas e penas de pássaros. São os membros mais importantes da comunidade e têm uma missão respeitada por todos: transformar o animal na peça principal do banquete comunitário, o mumu. O líder mais robusto – uma massa de músculos produzida pela vida árdua do campo – segura uma borduna de madeira que ele mesmo esculpiu. Os outros quatro homens, curvados, agarram o suíno com suas mãos largas. O braço levanta e a pancada no crânio é seca e certeira. O porco desmaia imediatamente. A cena é desagradável e prefiro assistir ao drama através da lente fotográfica. Os golpes seguintes são truculentos. Um esmaga o focinho e o sangue jorra em todas as direções. Calça, camisa e câmera não são poupadas. Sinto um nó no estômago.
Segundo os conceitos ocidentais, esse modo de matar um porco é cruel, um ato de barbarismo. Para os habitantes das montanhas e vales centrais de Papua Nova Guiné (PNG), é um rito tradicional de reunião da comunidade para uma refeição coletiva. Nessa região remota do país, não existem geladeiras e raros são os vilarejos com energia elétrica. Quando um porco é abatido, a carne precisa ser consumida logo. Como um animal alimenta de 20 a 30 pessoas, a cada sacrifício várias famílias ingerem a fonte de proteínas. O porco foi domesticado pelos habitantes locais há alguns milhares de anos. Ele ainda possui feições de porco selvagem e, quando adulto, duas enormes presas. Nas montanhas, é o animal de maior valor. O número de porcos de uma família denota seu status, e o chefe da comunidade dono de algumas dezenas de animais será mais respeitado. O porco também significa liquidez econômica: existe um intenso movimento de compra, venda e troca.
ASSUSTADOR
Um homem de barro, com seus afiados dedos de bambus, em um festival em Monte Hagen. Ele simboliza a vitória da astúcia contra a força bruta.
O mumu é uma marca registrada dos povos das montanhas. As ocasiões mais importantes são sempre celebradas com a refeição comunitária. Acontece para festejar a independência, um aniversário, até mesmo um funeral. Ou a inauguração de uma escola ou de uma estrada. Um bom banquete conta com dezenas de porcos.
Enquanto os líderes da comunidade estão ocupados limpando e cortando o porco abatido, as mulheres sentam-se no chão para preparar tubérculos e vegetais. Usam pedaços de bambu, afiados como facas, para descascar os alimentos. Ninguém fica de braços cruzados. Outros homens cavam um buraco, de meio metro de profundidade. Geralmente o buraco já existe, mas é preciso limpá-lo e acertar as beiradas. O que é particular no mumu é a maneira como os ingredientes são cozidos: dentro da terra.
 
Por cima do buraco quadrado que servirá de forno subterrâneo, dois jovens deitam longos pedaços de lenha, lado a lado, como se estivessem preparando um estrado. Quando o fogo começa a arder, um monte de pedras roliças é depositado sobre as madeiras. Agora entendo o segredo do mumu. São as pedras que vão manter o calor constante e cozinhar tudo o que for colocado dentro da cavidade. Em 20 minutos, toda a madeira é consumida pelo fogo e se transforma em carvão. As pedras, que estavam em cima da madeira, caem no fundo do buraco. Sobre elas e o carvão são espalhadas várias camadas de folhas de bananeira. As mulheres aparecem com cestos de bananas verdes descascadas e depositam o conteúdo na pequena cratera. Outros cestos – desta vez, de kau-kau (batata-doce) – também são despejados. Os flancos dos porcos cortados entram no arranjo. Pelo menos 20 homens trabalham e todos parecem saber exatamente o que deve ser feito. Mais bananas, mais kau-kaus e mais folhas verdes – e o buraco está cheio de alimentos. No final, entram as cabeças dos porcos. Somente os focinhos aparecem, rodeados de verduras. O pacote final é recoberto com mais pedras e uma camada final de terra. Nenhuma fumacinha sai do forno: todo o vapor está preso nessa enorme panela de pressão. Em três horas, o banquete será servido.
A agricultura foi desenvolvida nos vales centrais há 9 mil anos. Os papuásios domesticaram várias espécies de plantas nativas
Durante o mumu, converso com Anthony Hetaya, um dos líderes do clã Yugu de Lakawanda. O assunto é guerra tribal. “Os conflitos entre clãs têm três razões: roubo de terra, de mulher ou de porco. Usamos apenas nossas armas tradicionais”, afirma. A última batalha de sua comunidade foi contra o clã Lai, na década de 80. “Perdemos. Morreram dois membros de nosso clã. Tivemos de pagar uma compensação de 175 porcos vivos.” Embora ainda haja muitos confrontos na região – a polícia e o Exército preferem não se meter –, os Yugus estão convencidos de que não vale a pena entrar em uma batalha. “Numa guerra, não dormimos nem comemos direito, as mulheres e as crianças sofrem e não temos liberdade de movimento. Quando perdemos, as compensações são altas”.