"REPARTIR COM OS DEMAIS POVOS O QUE TEMOS RECEBIDO COM FARTURA É O QUE DEUS ESPERA DE CADA UM, ESPECIALMENTE SE CONSIDERARMOS QUE ELE NOS ABENÇOA PARA QUE OUTROS TAMBÉM SEJAM ABENÇOADOS POR MEIO DAS BÊNÇÃOS QUE TEMOS ALCANÇADOS."

quinta-feira, 21 de março de 2013

FRANCISCO DE ASSIS


Dentre os líderes religiosos da Idade Média, Francisco de Assis é hoje o mais honrado e amado por toda a igreja cristã. Cristãos de todos os nomes sentem-se inspirados com a vida deste homem que tão fielmente seguiu a Jesus Cristo.
Francisco (1182-1226) era filho de um comerciante de Assis, na Itália central. No meio de uma mocidade desregrada e indiferente foi atingido por séria moléstia que fez voltar seus pensamentos para Deus. Seu despertar religioso manifestou-se imediatamente em serviços de amor ao próximo.
Outrora extravagante nos seus prazeres, mostrava-se agora pródigo em suas dádivas aos necessitados. Dedicou-se especialmente à caridade entre as pessoas mais infelizes daquela época, os leprosos, dispensando-lhes cuidado pessoal e amizade. Restaurou também algumas igrejas em ruínas, expressando desse modo seu grande desejo de servir a Deus. Todavia ainda não tinha feito o trabalho que Deus lhe reservara. O pai zangado por causa das esmolas pródigas do filho procurou interná-lo como louco, num hospício. Francisco então renunciou a qualquer pretensão à herança paterna e saiu pelo mundo como mendigo.
SUA VOCAÇÃO PARA O SERVIÇO
Pouco depois, assistindo a um serviço religioso numa capela perto de Assis, ouviu o sacerdote lendo uma parte do capítulo 10 de S. Mateus, onde se descreve a cena em que Jesus envia os seus discípulos a pregar. Entendeu que aquilo era como uma chamada de Cristo, a que imediatamente obedeceu. Embora leigo, foi à cidade e começou a pregar. Desde então e por toda a sua vida, ministrou com excelentes resultados o ensino mais simples e o cristianismo mais prático, com o poder da sua consagração e da sua personalidade atraente e vigorosa.
A ORGANIZAÇÃO DA FRATERNIDADE
Em pouco tempo dois homens da cidade de Assis, tornaram-se seus companheiros. Isto sugeriu-lhes a organização de uma fraternidade que vivesse como eles viviam, a serviço do próximo, no espírito de Cristo, e em pobreza. Apareceram alguns outros discípulos e foi organizada a fraternidade. No primeiro ano (1209-1210) Francisco e seus companheiros levaram a termo uma missão evangelística às regiões remotas da Úmbria. O grupo  continuou a crescer, reunindo elementos de Assis e das vizinhanças. Eram diferentes dos dominicanos, porque esses primeiros franciscanos, na maioria, não eram bastante instruídos. Depois dessa primeira obra da fraternidade, Francisco foi a Roma com alguns dos seus companheiros e obteve de Inocêncio III parcial aprovação dos objetivos do seu grupo.
A OBRA DOS FRANCISCANOS
A  capela onde Francisco sentiu sua chamada foi-lhe concedida para sede da fraternidade. Ao redor dela foram construídos rudes abrigos para os irmãos. Raras vezes, porém, ali permaneciam, pois levavam todo o tempo a viajar, servindo o povo, segundo a ordem expressa e o exemplo de Jesus. Pregavam nos campos enquanto os trabalhadores descansavam. Nos mercados, feiras, vilas, cidades, onde quer que encontrassem uma oportunidade. Auxiliavam os necessitados de toda a natureza, especialmente os leprosos. Não tinham dinheiro para dar, pois a pobreza era parte essencial das suas vidas. Todavia prestavam serviços especiais e cuidados pessoais. A missão deles não era somente a de pregar, como a dos dominicanos, mas uma espécie de ministério múltiplo que atendesse a todas as necessidades humanas, inclusive a pregação ou assistência espiritual. Mantinham-se com os trabalhos que faziam, e quando não podiam fazê-lo, recorriam às esmolas. Daí a razão por que, tanto eles como os dominicanos, que logo começaram a adotar os métodos dos primeiros, eram conhecidos como mendicantes ou Ordens de Mendicantes.
Uma característica notável desses primeiros franciscanos foi a excepcional alegria, a satisfação de que se achavam possuídos, e que lhes foi inspirada por Francisco. Para ele e seus companheiros ungidos do mesmo ideal, uma vida de serviço ao próximo e de pobreza por amor a Cristo não constituía um sacrifício, mas um motivo de alegria. Tudo era feito num espírito de consagração e de obediência a Jesus, de amor para com os homens, alegria e desapego ao mundo. Nunca houve então, maior emprenho de imitar a Cristo, ou maior revelação de fé nEle e mais prontidão em cumprir Suas ordens divinas, do que o revelado por Francisco de Assis e esses primeiros franciscanos.
CRESCIMENTO DA ORDEM FRANCISCANA – MISSÕES
A fraternidade se desenvolveu rapidamente para além das fronteiras do país. Quando se reuniu o segundo capítulo geral, em 1217, havia irmãos franciscanos na Alemanha, Hungria, e Espanha e já iniciadas as missões nas terras pagãs. Uma ocasião, o cardeal Ugolino censurou a Francisco por ter enviado alguns irmãos a lugares distantes e perigosos, ao que estye respondeu: “Pensais que Deus levantou esses irmãos só por amor a este paísʔ Na verdade vos digo, Deus os levantou para o despertamento e salvação de todos os homens”. Em 1218, ele próprio foi à Palestina, julgando, na simplicidade da sua fé, converter os muçulmanos em Damieta, no Egito, e pregou ali o Evangelho, mas sem qualquer êxito. Entre os exércitos dos cruzados, todavia, alcançou bom numero de adeptos.
OS ÚLTIMOS ANOS DE FRANCISCO
Voltando à Italia depois de dois anos, descobriu que aqueles a quem fizera responsáveis pela direção da fraternidade, haviam de certo modo se afastado dos seus ideais. Ele entendia que não somente os irmãos, individualmente, não deviam ter qualquer propriedade, mas a fraternidade mesma não devia possuir quaisquer bens. A pobreza, para ele, significava um meio de libertação dos cuidados mundanos que interferem com a carreira cristã. Mas na sua ausência essa regra fora modificada, de modo que a fraternidade adquirira propriedades. Isto o perturbou bastante, além de outras modificações que encontrou. É possível que se tenha convencido que seu ideal de pobreza era impraticável para o grupo de homens que dirigia o trabalho em outros países, onde a fraternidade já estava operando.
Talvez tivesse verificado que ele próprio era incapaz de dirigir uma organização tão vasta e que se espalhara por toda a parte. Certamente não possuía grande dose de capacidade administrativa. Seja como for, pediu ao papa que assumisse a direção da fraternidade e a protegesse, o que resultou em transformá-la numa ordem, no mesmo plano e base das ordens monásticas. Resignou, então, seu lugar de chefe. Durante os anos que lhe restaram sofreu algumas  tristezas por verificar o afastamento dos ideais que imaginara para a sua ordem. Mas antes da sua morte, voltou sua antiga alegria e expressou-a no seu famoso “Cântico do Sul”.


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