"REPARTIR COM OS DEMAIS POVOS O QUE TEMOS RECEBIDO COM FARTURA É O QUE DEUS ESPERA DE CADA UM, ESPECIALMENTE SE CONSIDERARMOS QUE ELE NOS ABENÇOA PARA QUE OUTROS TAMBÉM SEJAM ABENÇOADOS POR MEIO DAS BÊNÇÃOS QUE TEMOS ALCANÇADOS."

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O MAIOR FESTIVAL RELIGIOSO DA TERRA

Centenas de milhares de peregrinos conduzidos por sacerdotes nus e cobertos de cinzas se banharão nesta segunda-feira no rio Ganges, no maior festival  do mundo, realizado a cada doze anos em Allahabad, onde são esperados 100 milhões de hindus.

O Kumbh Mela começa nesta segunda-feira e ocorre pelos próximos 55 dias. Ao amanhecer, em um momento escolhido pelos astrólogos, centenas de gurus, alguns empunhando espadas e tridentes, entrarão nas águas geladas do rio sagrado para marcar o início dos festejos.

"Nosso desejo mais fervoroso é que exista paz e que as pessoas cuidem umas das outras", declarou à AFP Naga Sadhu, um destes sadhus (homens bons), que renunciam à sociedade para percorrer as estradas depois de prestar homenagem a Shiva.
 
Para os peregrinos, o Kumbh Mela é a ocasião para rezar e relaxar, na companhia da família e de amigos, em um ambiente festivo.
 
"Você tem a impressão de estar unido a algo que está acima de nós", acrescentou Mayank Pandey, professor de informática de 35 anos.
 
O Kumbh Mela ocorre a cada doze anos em Allahabad, Uttar Pradesh (norte). Versões menores ocorrem a cada três anos em outras cidades indianas.

 
 
 

KOROWAI, O POVO QUE MORA NA COPA DAS ÁRVORES

 

Tribo da Papua, na Indonésia, não vive no chão: eles constroem casas em árvores de mais de 30 metros e passam a vida inteira lá em cima

             

Editora Globo
Tá vendo aquele pontinho bege lá em cima da árvore? Então, essa é a casa deles.
 

Se você sofre de vertigem, agradeça por não ser um Korowai. Casa na árvore é coisa de gente grande pra eles – e pode ser a diferença entre uma vida tranquila e uma morte certeira. Morar na copa das árvores, além de exigir muita coragem, é pra eles uma questão de sobrevivência, tradição e status.

Os Korowai são naturais da Papua, província da Indonésia que representa a parte ocidental da Nova Guiné. O primeiro contato com “humanos de calça” foi só em 1974, fato que explica o estilo de vida simples e as técnicas rudimentares – ainda que extremamente complexas – empregadas por ele na hora de construir a morada. A coisa toda funciona assim: uma família precisa de uma casa e os vizinhos vão lá ajudar. Eles escolhem uma árvore que pareça boa e podam sua copa – é lá que a casa vai ficar. Cortam os galhos mais sobressalentes para que ela não fique muito suscetível às ventanias e fazem o chão com galhos também. Teto e paredes são feitos de ráfia, nome da fibra de um dos tipos de palmeiras.

As casas costumam ficar a 10 metros de altura, mas algumas, como a do vídeo abaixo, ficam a 35 metros do chão. São quatro os principais motivos para essa política de habitação pouco usual: por se tratar de uma floresta tropical, as inundações são constantes e a elevação se torna obrigatória. A vários metros do chão, os mosquitos incomodam menos. Tradicionalmente, não estar no lugar que os inimigos esperavam era uma ótima estratégia de defesa e ataque. Juntando tudo isso, quanto mais alta a casa, mais status a família tem.
Editora Globo
Meninos escalam a longa escada para conhecer a nova casa.
 

As casas abrigam até 12 pessoas e duram 5 anos. Um detalhe curioso é a organização para subir nas casas. Lá, a ordem é inversa: damas depois dos homens. Mas não se trata de uma regra machista, pelo contrário – a medida é tomada para que nenhum homem possa observar as vergonhas das mulheres enquanto elas sobem.

Confira essa reportagem da BBC,  que traz belíssimas imagens do processo coletivo de construção das casas.


 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Angkor Wat, no Camboja, é o maior monumento religioso do mundo

Desde 1973, eu sonhava em conhecer os templos de Angkor Wat, no Camboja. Mas a situação política na ocasião já estava complicada, depois de um golpe de estado contra o rei Sihanouk em 1970. Mesmo estando tão pertinho, na vizinha Tailândia, não achei que seria seguro entrar no país. Dois anos depois, o ditador Pol Pot instalou um regime truculento com o apoio dos guerrilheiros comunistas Khmer Rouge. De 1975 a 1979, a nação viveu um período de opressão sem igual, quando 1,5 milhões de cambojanos foram executados ou morreram de fome. Os guerrilheiros Khmer Rouge sustentaram uma guerrilha até 1993, quando a ONU conseguiu promover as primeiras eleições (mais ou menos) livres.
 
As torres de Angkor Wat, “Templo da Cidade Capital” ou “Cidade dos Templos”, elevam-se no meio da floresta tropical.
 
Esse breve histórico é necessário para compreender que o país ficou inacessível aos estrangeiros durante quase um quarto de século. As pedras de Angkor Wat, tomadas pela vegetação, não eram prioridade para um governo que precisava se reestruturar depois de décadas de carnificina.

Aproveitando a redemocratização do país, a Unesco, ao qualificar o conjunto de templos como Patrimônio Mundial em 1992, abriu as portas para novas fontes de doações que pudessem cobrir os gastos necessários com as restaurações. Cooperações bilaterais imediatamente foram criadas e instituições alemãs, francesas e japonesas começaram a trabalhar com o governo cambojano para recuperar as ruínas.

Em duas décadas, Angkor Wat passou de um lugar misterioso tomado pela floresta a uma das atrações turísticas mais importante da Ásia,
tão admirável como o Taj Mahal na Índia ou a Grande Muralha na China. Hoje, quase dois milhões de visitantes chegam ao vilarejo de Siem Reap para descobrir as estruturas elegantes de um complexo de centenas de templos e pagodas que se espalham por uma área de 150 quilômetros quadrados.
 
 
O sol aparece atrás das cinco torres do templo hinduísta construído pelo rei khmer Suryavarman II.
 
Angkor Wat é o principal templo do complexo. Rodeado por uma muralha de 3,6 km de extensão, Angkor é considerado o maior monumento religioso do mundo. Pesquisadores concluíram que existem mais pedras aqui – e mais elaboradas – do que nas Grandes Pirâmides do Egito.

Edificado na primeira parte do século 12 como um santuário hinduísta dedicado a Vishnu, Angkor transformou-se no século seguinte em um templo budista e continua até hoje a ser um local de veneração. Pequenos rituais ainda acontecem em recantos menos visitados e não há monge budista que não venha conhecer o local. Eles estão por toda a parte e não passam desapercebidos com suas vestes laranjas.

 
Um monge com suas vestes típicas passa por uma estátua hinduísta em um dos corredores do templo.
 

Três monges budistas pedem que eu os fotografe com a câmera do celular pertencente a um deles; aproveito para retratá-los com as torres de Angkor ao fundo.

 
Em um dos pátios interiores de Angkor, outro monge admira, boquiaberto, a elegância da construção lítica.
 
 
 Dois monges sentados oram em frente a uma estátua de um Buda, assentada depois da fundação do santuário.
Angkor representa o coração e a alma do Camboja: é o principal símbolo do país.
O desenho do templo está no centro da bandeira nacional azul e vermelha. O perfil do conjunto com suas torres estava presente até mesmo na bandeira vermelha revolucionária adotada durante os regimes comunistas de 1975 a 1989.
O orgulho que os cambojanos sentem pela majestosa construção tem fundamento. Na época de sua construção, antes de 1150, a Europa vivia um período medieval obscuro e nenhum castelo ou templo no Ocidente chegava aos pés do que era Angkor.
Os detalhes da decoração impressionam até hoje os visitantes. Uma das singularidades é a presença de mais de 3 mil esculturas nas paredes mostrando as apsaras. Cada uma destas ninfas celestiais possui um desenho particular, mas todas apresentam traços em comum: pulseiras, braceletes e colares requintados, uma cintura bem desenhada e seios redondos e perfeitos. Pesquisadores identificaram 37 penteados diferentes.
 
 
Cinco apsaras esculpidas em uma das paredes internas de Angkor. Os seios ficaram mais escuros pois a gordura das mãos de milhares de pessoas foi absorvida pela pedra.
 
 
 Duas apsaras em uma parede exterior do templo. Todas as janelas eram ornadas com pilares finamente trabalhados.
 
 
Um longo baixo-relevo na entrada de Angkor ilustra as batalhas épicas do hinduísmo.
Angkor Wat pode ser a principal construção do complexo, mas existem centenas de templos que merecem ser visitados nas redondezas. Na próxima semana, conheceremos outras ruínas fascinantes, algumas delas tomadas pela floresta tropical.
 

 
 
 

No centro de Angkor Thom, Bayon revela 216 faces do Buda

Todo o complexo de construções da cultura Khmer é chamado de Angkor Wat. Mas o gigantesco monumento é apenas o coração do empreendimento arquitetural. Espalhados ao norte do imenso templo existem centenas de edificações que deixam qualquer visitante pasmado com aquela sensação de “como eu nunca havia vindo aqui antes?”, mostrando quão pouco sabemos sobre culturas do outro lado do planeta.
Se Angkor Wat é O Templo, Angkor Thom é A Cidade. O significado de seu nome é claro: não apenas uma cidade, mas a Grande Cidade. Foi a última e a mais duradoura capital do império Khmer, estabelecida pelo rei Jayavarman VII no final do século 12 (ou seja, meio século mais tarde que Angkor Wat). Seu traçado é inconfundível: um quadrado direcionado aos quatro pontos cardeais, cujos lados medem três quilômetros de extensão.

Dentro do recinto de nove quilômetros quadrados, protegido por muralhas de oito metros de altura, existiam prédios oficiais, mas também canais de irrigação, plantações de arroz e moradias que sustentavam cerca de 100 mil pessoas.
Para ingressar em Angkor Thom era necessário – e ainda é – passar por um dos quatro portões de entrada, dominados por uma torre de 23 metros ornada por quatro máscaras esculpidas na pedra. Os quatro caminhos convergem a um mesmo lugar, Bayon.

Uma das quatro entradas do templo Bayon, no centro de Angkor Thom.
 
O imponente templo Bayon, ao contrário de Angkor Wat que nasceu para celebrar a fé hinduísta, foi erguido como um santuário budista. As linhas clássicas foram substituídas aqui por uma arquitetura que, no Ocidente, seria chamada de barroca. A característica mais óbvia são as 216 máscaras gigantescas - bem parecidas às 16 dos quatro portões de entrada – que ornam o templo, incluindo suas 49 torres (hoje apenas existem 36 delas).
Pesquisadores observaram uma grande semelhança entre todos os mascarões, assim como a afinidade com a própria figura do monarca. Uma das explicações é que as faces teriam sido esculpidas para homenagear o rei Jayavarman VII como se fosse uma divindade. Outra considera que as imagens são a do Buda da Compaixão, Avalokitesvara.

 
Uma das máscaras budistas do templo Bayon ao amanhecer.
 
 
Bayon está rodeado pelo verde da floresta tropical do sudeste asiático.
 
As esculturas são semelhantes, mas não idênticas. Este imagem do Buda foi desenhada com um sorriso um pouco mais acentuado.
 
Já esta outra máscara de Bayon teria sido esculpida para salientar um estado meditativo de felicidade.
 
Embora não seja um lugar oficial de peregrinação, Bayon continua recebendo fiéis budistas. Embaixo de sua torre central, um pequeno santuário reverencia uma imagem de Buda e recebe oferendas de cambojanos e de visitantes estrangeiros. Outra figura sempre presente, contrastando com as pedras cinzas do templo de oito séculos de idade, é a do monge com suas vestes alaranjadas.
 
Um cambojano senta-se ao pé do santuário, acende alguns bastões de incenso e faz uma oração.
 
Um jovem noviço olha com espanto para as grandes máscaras de Buda que adornam Bayon.