"REPARTIR COM OS DEMAIS POVOS O QUE TEMOS RECEBIDO COM FARTURA É O QUE DEUS ESPERA DE CADA UM, ESPECIALMENTE SE CONSIDERARMOS QUE ELE NOS ABENÇOA PARA QUE OUTROS TAMBÉM SEJAM ABENÇOADOS POR MEIO DAS BÊNÇÃOS QUE TEMOS ALCANÇADOS."

domingo, 31 de março de 2013

CAVERNA GIGANTE NA CHINA - MONTE TIANMEN NA PROVINCIA DE HUNAM

O monte Tianmen fica 8 quilômetros ao sul da cidade de Zhangjiajie. Com a forma semelhante a uma mesa, a montanha tem 1.518 metros de altitude acima do mar e 2,2 quilômetros quadrados de superfície no topo. Um dia, no ano de 260, o governador local passou por ali e, casualmente, uma parte da montanha desmoronou e apareceu no precipício uma caverna. O imperador soube da notícia e achou que era um bom presságio. Ele denominou o monte Tianmen, que quer dizer porta do céu. A partir daí, a montanha ficou conhecida em todo o país.
O idoso Chen Ziwen vive no sopé do monte Tianmen desde pequeno. Ele contou a história de Yuwen Yong, imperador do período Zhou do Norte há cerca de 1.500 anos, que cultuava o céu e a terra na montanha:
“Normalmente, o culto se realizava nas Cinco Montanhas Sagradas, porém, naquela época, o Monte Heng das Cinco Montanhas Sagradas no sul da China estava fora do território do imperador Yuwen Yong, por isso, ele escolheu o monte Tianmen para o substituir e realizou o rito ali, chefiando todos os ministros civis e militares.”
A história mostra que o monte Tianmen já é famoso há muito tempo. A caverna no precipício é o símbolo da montanha. A entrada da caverna tem 131 metros de altura e 57 metros de largura, sendo considerada a maior entrada de caverna do mundo. Olhando do sopé da montanha, a entrada parece uma janela de palácio no céu, rodeada por nuvens flutuantes. Nos dias chuvosos, a caverna esconde-se entre as nuvens e a névoa, muito mais misteriosa do que nos dias normais.
O monte Tianmen é tão íngreme que na antiguidade ninguém conseguia subir ao topo. Hoje, foram construídos 999 degraus para os turistas chegarem ao cume e conhecerem a caverna. Para os chineses, o número nove significa o maior. 999 escadas têm o sentido de subir ao palácio do céu.
Zhang Leilei, uma turista, chegou ao monte Tianmen pela primeira vez. Olhando tantos degraus, ela pensou que subir e descer do monte seria muito cansativo:
“Nunca subi este monte. É altíssimo. E as escadas são estreitas e íngremes. Acho que a descida será ainda mais difícil.”
No topo da entrada da caverna, cresce um tipo de bambu verde e baixo. Quando venta, as folhas dos bambus pendurados se esfregam, fazendo o som de “Sa, sa”. De vez em quando, águas caem do topo, como se estivesse garoando. Segundo os habitantes locais, quem consegue pegar 48 gotas de água com a boca pode se tornar um gênio.
 
Na antiguidade, o monte Tianmen atraiu muitos religiosos e eremitas a levarem uma vida de retiro ali. Wang Xu, um famoso inteletual do Reino Qi do período dos Reinos Combatentes, mais de 2 mil anos atrás, morava sozinho em uma caverna do Monte Tianmen, estudando e escrevendo livros. As obras dele são transmitidas até hoje.
O senhor Li Guangzhang é um explorador amador e vive no sopé do monte Tianmen desde pequeno. Ele tem um grande interesse nas histórias e lendas sobre a montanha e fez várias explorações na caverna em que Wang Xu morou.
“Moro no sopé do monte Tianmen. Adoro muito a montanha. Quando era criança, fiquei muito curioso sobre a caverna da lenda e decidi entrar nela quando cresci. Tive muito medo na primeira exploração. Mas, posteriormente, entrei várias vezes na caverna e não temi mais.”
O monte Tianmen situa-se no sul da cidade de Zhangjiajie. Dezenas de anos atrás, os habitantes podiam ver diretamente a caverna Tianmen quando entravam e saíam do portão da cidade. Mas, hoje, as pessoas não conseguem vê-la mais, porque, a caverna muda de posição geológica lentamente. Luo Zhaoyong, fotógrafo, disse:
“Tenho trabalhado como fotógrafo há 30 anos e conheci profundamente o monte Tianmen. Antigamente, a caverna Tianmen era defronte ao portão da cidade. Posteriormente, a caverna mudou para o oeste. Ela nunca parou de mudar.”
Além das lendas e fenômenos misteriosos, a montanha ainda possui outra atração, a rica cultura de academia. Na antiguidade chinesa, o sedor educacional da região era bastante próspero. A Academia Tianmen formou muitos inteletuais e funcionários, dando grandes contribuições para a administração do país. Chen Ziwen, natural da região Tianmen, disse ao repórter:
“O imperador da dinastia Yuan Tiemuer elogiou muito a contribuição da Academia Tianmen e escreveu pessoalmente o nome da Academia.”
A partir daí, a Academia Tianmen ficou conhecida por todo o país. Até 1904, quando o antigo sistema de exame imperial foi cancelado e a Academia foi transformada em uma escola primária.

Porta Para o Céu

O planeta Terra é incrivelmente lindo.
Montes Tianmen na China
Tianmen Dong (Tianmen Caverna) é conhecida como arco ou como caverna, mas embora ela geralmente seja chamada de caverna, na realidade se classifica muito bem na categoria de ponte natural. A abertura enorme formada no alto da falésia do Monte Tianmen (1.518 m de altitude) é de cerca de 130m de altura com 30m de largura. Ela atravessa uma parte da montanha, constituída de paredes verticais rochosas, com cerca de 70m de espessura, formando uma caverna de 60m de comprimento por 30 metros de altura, o que se encaixa perfeitamente na definição de uma ponte natural em arco.
As montanhas de Tianmen as vezes são confundidas com a famosa Tiananmen Square, em Bejin. Mas a Tianmen de que estamos falando, está localizada a oito quilômetros à noroeste da cidade de Zhangjiajie em Hunan e situa-se a 1,500 metros acima do nível do mar. A montanha Tianmen é chamada, muitas vezes, de a “Alma de Zhangjiajie.
Tianmen Dong passou a ser mundialmente famosa quando um grupo de pilotos, em 1999, cruzou o seu vão pela primeira vez de avião. Foi uma tentativa de entrarem para o Livro dos Recordes – Guinness Book. Pela primeira vez uma caverna foi atravessada por um avião em movimento. O vôo foi televisionado e assistido por 800 milhões de pessoas ao redor do mundo. Outro vôo, através da caverna foi feito pelos Cavaleiros da Rússia, que atravessaram a caverna, em 2006, em cinco aviões russos SU-27.
A fenda na face do penhasco foi aberta há muito tempo atraz pela erosão, formando o que hoje é chamada de caverna. Isso aconteceu no sexto ano do Período Wuyong, no ano 263. Nessa época, a montanha era chamada de Songliang. Foi depois disso que ela passou a ser chamada de Tianmen.
Tianmen Mountain é uma torre enorme, com paredes íngremes e um pequeno planalto no topo, cerca de 1.500 m, coberta por uma floresta intacta e primitiva. A paisagem é típicamente rochosa, coberta por uma camada muito fina de terra, que, combinando com o clima local, cria um grande jardim bonsai natural.
Aos seus pés, foi construído o templo Tianmen (com aproximadamente, 10.000 m²), que funciona como o principal centro budista de Hunan ocidental, caracterizado como um centro de peregrinação desde a Dinastia Ming. Chen Ziwen viveu no sopé da montanha toda a sua vida. Ele diz que um imperador chegou a adorar os deuses daqui, há quase 1.500 anos atrás. O imperador da Dinastia Zhou do Norte queria adorar os céus e a terra. E, por isso, escolheu Tianmen montanha como um dos locais ideal para sua cerimônia.
A ponte natural é um destino turístico famoso. Uma série de 999 degraus que leva até o arco, faz com que fique realmente fácil visitar a caverna de Tianmem, mas é preciso preparar bem o fôlego para a íngreme subida.
O arco é acessível por uma estrada em espiral conhecida como Tongtian Avenue. A vista da longa e sinuosa estrada se parece com um dragão ascendendo as montanhas e formando uma vista maravilhosa. Ou, se preferir, pode utilizar também o maior teleférico de passageiros do mundo(7.200 m de comprimento) para fazer a longa travessia. É impressionante como os antigos chineses foram capazes de construirem estruturas de tamanha envergadura como esta.

sexta-feira, 29 de março de 2013

A TRAJETÓRIA DE VIDA DA MULHER NA ÍNDIA

Esta reportagem foi publicada pela Professora brasileira, Sandra Bose, que vive há alguns anos na India e é profunda conhecedora daquela cultura. Ela possui um Blog chamado: www.indiagestao.blogspot.com onde você pode encontrar informações e tirar suas dúvidas acerca deste misterioso país...
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Uma minoria da população indiana (2%) tem teimado em escolher o próprio parceiro e não aceitar o casamento arranjado pelos pais. Essas moças corajosas tem sofrido não só perseguições familiares como também pública. As leis indianas proíbem demonstrações de carinho e afeto em público e que torna difícil o ato de namorar. Os casais que vão à parques namorar são perseguidos pelos policiais que além de humilha-los os agridem fisicamente.

Como as meninas casam-se muito novas, aos 10 ou 11 anos de idade já estão parindo seu primeiro filho. Muitas morrem no parto e a maioria das mulheres indianas sofrem de anemia. É pratica entre as indianas é dar primeiro comida para o marido, depois para os filhos e o que sobrar, se sobrar, vai para elas. A mulher indiana nunca senta-se para comer junto a família, ela fica servindo as pessoas e só depois que todos comeram é que elas vão comer.

Além da anemia, a perseguição por causa do dote é outra violência que assola as indianas. O pai das noivas tem que dar um bom dote em dinheiro para o noivo e para a família dele. Atualmente aceita-se também além de dinheiro, motos, carros, casas etc. Se o pai da noiva não dá o prometido ou se a família do noivo pede algo a mais, depois do casamento e o pai da noiva não dá, a moça sofre todo tipo de violência física, mental e emocional e inúmeras vezes acaba sendo assassinada pela família do noivo. O modo mais comum de assassinar as moças é atacando fogo nelas e dizer depois que foi acidente. Noticias sobre este tipo de violência doméstica esta todos os dias nos jornais, é corriqueira e não prende a atenção de ninguém. Este é justamente um dos motivos pelos quais os pais não querem ter filhas, pois estas incorrem em muita despesa pela ocasião do casamento e os noivos atualmente pedem mais e mais dote.

Outro problema grave nos centros urbanos indianos é o crescente número de estupros. Os indianos vêem as mulheres somente como um objeto para realizarem seus instintos sexuais e não pensam duas vezes em estupra-las. A situação anda tão crítica que até mesmo uma diplomata Suíça foi estuprada dentro do próprio carro em um estacionamento aqui em Delhi. Creio que o fato de existirem mais homens do que mulheres na Índia agrave o problema. Os casos de estupro que vão para a justiça sempre acabam culpando as mulheres e as acusam de seduzirem os homens e estes por sua vez sempre saem livres nunca indo presos e nunca pagando pelo crime que cometeram. Não é recomendado que turistas estrangeiras viagem sozinhas pela Índia.

Com a diminuição da prática do Sati as viuvas agora são expulsas de casa pela família do marido quando este morre e no geral são levadas para a cidade de Veranasi onde ficam vivendo em condições subumanas até morrer. O filme Water de Deepa Mehta que mostra esta triste e sofrida realidade das viuvas indianas foi banido da Índia e a cineasta teve que sair correndo pois recebeu inúmeras ameaças de morte. Aqui na Índia todos sabemos que ameaça em geral significa a morte, como ocorreu com a Primeira Ministra Indira Gandhi; outra grande mulher na história deste país chauvinista.

A proibição do Sati, a única lei em relação a mulher que tem sido mais respeitada. Refere-se a prática milenar de colocar a viuva viva junto ao corpo do marido falecido e força-la a morrer queimada simultaneamente na mesma pira do marido. Com a morte do marido, a família deste não via sentido em ficar sustentando a viúva. Praticando o Sati, ou seja, matando-a queimada na pira funeral, evitava-se assim também problemas de divisão da herança. Como agora está proibido matar as viuvas, estas são levadas à Veranasi e abandonadas lá.

Fica aqui então a sugestão para que assista ao filme Water de Deepa Mehta que além de retratar uma realidade indiana atual, é um modo inteligente de prestigiar esta mulher indiana corajosa e cineasta de grande gabarito que sofreu e sofre até hoje perseguição do governo indiano e de sua população machista que tenta a todo custo tampar o sol com a peneira.

Foto: Meus olhos ainda não se acostumaram a ver crianças de 10 anos de isade já mães carregando bebes no colo. Quem sabe um dia minha cabeça ocidental deixe de me perseguir e eu consiga ver como normal este costume indiano......

Om Shanti

Sandra Bose
www.indiagestao.blogspot.com

quinta-feira, 21 de março de 2013

FRANCISCO DE ASSIS


Dentre os líderes religiosos da Idade Média, Francisco de Assis é hoje o mais honrado e amado por toda a igreja cristã. Cristãos de todos os nomes sentem-se inspirados com a vida deste homem que tão fielmente seguiu a Jesus Cristo.
Francisco (1182-1226) era filho de um comerciante de Assis, na Itália central. No meio de uma mocidade desregrada e indiferente foi atingido por séria moléstia que fez voltar seus pensamentos para Deus. Seu despertar religioso manifestou-se imediatamente em serviços de amor ao próximo.
Outrora extravagante nos seus prazeres, mostrava-se agora pródigo em suas dádivas aos necessitados. Dedicou-se especialmente à caridade entre as pessoas mais infelizes daquela época, os leprosos, dispensando-lhes cuidado pessoal e amizade. Restaurou também algumas igrejas em ruínas, expressando desse modo seu grande desejo de servir a Deus. Todavia ainda não tinha feito o trabalho que Deus lhe reservara. O pai zangado por causa das esmolas pródigas do filho procurou interná-lo como louco, num hospício. Francisco então renunciou a qualquer pretensão à herança paterna e saiu pelo mundo como mendigo.
SUA VOCAÇÃO PARA O SERVIÇO
Pouco depois, assistindo a um serviço religioso numa capela perto de Assis, ouviu o sacerdote lendo uma parte do capítulo 10 de S. Mateus, onde se descreve a cena em que Jesus envia os seus discípulos a pregar. Entendeu que aquilo era como uma chamada de Cristo, a que imediatamente obedeceu. Embora leigo, foi à cidade e começou a pregar. Desde então e por toda a sua vida, ministrou com excelentes resultados o ensino mais simples e o cristianismo mais prático, com o poder da sua consagração e da sua personalidade atraente e vigorosa.
A ORGANIZAÇÃO DA FRATERNIDADE
Em pouco tempo dois homens da cidade de Assis, tornaram-se seus companheiros. Isto sugeriu-lhes a organização de uma fraternidade que vivesse como eles viviam, a serviço do próximo, no espírito de Cristo, e em pobreza. Apareceram alguns outros discípulos e foi organizada a fraternidade. No primeiro ano (1209-1210) Francisco e seus companheiros levaram a termo uma missão evangelística às regiões remotas da Úmbria. O grupo  continuou a crescer, reunindo elementos de Assis e das vizinhanças. Eram diferentes dos dominicanos, porque esses primeiros franciscanos, na maioria, não eram bastante instruídos. Depois dessa primeira obra da fraternidade, Francisco foi a Roma com alguns dos seus companheiros e obteve de Inocêncio III parcial aprovação dos objetivos do seu grupo.
A OBRA DOS FRANCISCANOS
A  capela onde Francisco sentiu sua chamada foi-lhe concedida para sede da fraternidade. Ao redor dela foram construídos rudes abrigos para os irmãos. Raras vezes, porém, ali permaneciam, pois levavam todo o tempo a viajar, servindo o povo, segundo a ordem expressa e o exemplo de Jesus. Pregavam nos campos enquanto os trabalhadores descansavam. Nos mercados, feiras, vilas, cidades, onde quer que encontrassem uma oportunidade. Auxiliavam os necessitados de toda a natureza, especialmente os leprosos. Não tinham dinheiro para dar, pois a pobreza era parte essencial das suas vidas. Todavia prestavam serviços especiais e cuidados pessoais. A missão deles não era somente a de pregar, como a dos dominicanos, mas uma espécie de ministério múltiplo que atendesse a todas as necessidades humanas, inclusive a pregação ou assistência espiritual. Mantinham-se com os trabalhos que faziam, e quando não podiam fazê-lo, recorriam às esmolas. Daí a razão por que, tanto eles como os dominicanos, que logo começaram a adotar os métodos dos primeiros, eram conhecidos como mendicantes ou Ordens de Mendicantes.
Uma característica notável desses primeiros franciscanos foi a excepcional alegria, a satisfação de que se achavam possuídos, e que lhes foi inspirada por Francisco. Para ele e seus companheiros ungidos do mesmo ideal, uma vida de serviço ao próximo e de pobreza por amor a Cristo não constituía um sacrifício, mas um motivo de alegria. Tudo era feito num espírito de consagração e de obediência a Jesus, de amor para com os homens, alegria e desapego ao mundo. Nunca houve então, maior emprenho de imitar a Cristo, ou maior revelação de fé nEle e mais prontidão em cumprir Suas ordens divinas, do que o revelado por Francisco de Assis e esses primeiros franciscanos.
CRESCIMENTO DA ORDEM FRANCISCANA – MISSÕES
A fraternidade se desenvolveu rapidamente para além das fronteiras do país. Quando se reuniu o segundo capítulo geral, em 1217, havia irmãos franciscanos na Alemanha, Hungria, e Espanha e já iniciadas as missões nas terras pagãs. Uma ocasião, o cardeal Ugolino censurou a Francisco por ter enviado alguns irmãos a lugares distantes e perigosos, ao que estye respondeu: “Pensais que Deus levantou esses irmãos só por amor a este paísʔ Na verdade vos digo, Deus os levantou para o despertamento e salvação de todos os homens”. Em 1218, ele próprio foi à Palestina, julgando, na simplicidade da sua fé, converter os muçulmanos em Damieta, no Egito, e pregou ali o Evangelho, mas sem qualquer êxito. Entre os exércitos dos cruzados, todavia, alcançou bom numero de adeptos.
OS ÚLTIMOS ANOS DE FRANCISCO
Voltando à Italia depois de dois anos, descobriu que aqueles a quem fizera responsáveis pela direção da fraternidade, haviam de certo modo se afastado dos seus ideais. Ele entendia que não somente os irmãos, individualmente, não deviam ter qualquer propriedade, mas a fraternidade mesma não devia possuir quaisquer bens. A pobreza, para ele, significava um meio de libertação dos cuidados mundanos que interferem com a carreira cristã. Mas na sua ausência essa regra fora modificada, de modo que a fraternidade adquirira propriedades. Isto o perturbou bastante, além de outras modificações que encontrou. É possível que se tenha convencido que seu ideal de pobreza era impraticável para o grupo de homens que dirigia o trabalho em outros países, onde a fraternidade já estava operando.
Talvez tivesse verificado que ele próprio era incapaz de dirigir uma organização tão vasta e que se espalhara por toda a parte. Certamente não possuía grande dose de capacidade administrativa. Seja como for, pediu ao papa que assumisse a direção da fraternidade e a protegesse, o que resultou em transformá-la numa ordem, no mesmo plano e base das ordens monásticas. Resignou, então, seu lugar de chefe. Durante os anos que lhe restaram sofreu algumas  tristezas por verificar o afastamento dos ideais que imaginara para a sua ordem. Mas antes da sua morte, voltou sua antiga alegria e expressou-a no seu famoso “Cântico do Sul”.


segunda-feira, 18 de março de 2013

TAILÂNDIA - A TERRA DO SORRISO

SOL, SEDA E SEXO – Os três “s” que resumem os encantos da Tailândia nos catálogos de turismo são insuficientes para traduzir o caldeirão que é Bangcoc, ou a água verde-esmeralda da baía Maya.

A Tailândia é céu e inferno. Nos templos e palácios com budas de jade e ouro, a fé se impõe sobre a curiosidade. Até os turistas ateus silenciam. Nas ruas e nos mercados, é alucinante a profusão de cores, cheiros e temperos. Frutas vermelhas “do dragão” e “da cobra”, melancias de polpa amarela, e muitas outras desconhecidas de nós brasileiros, são cortadas com minúcia decorativa. E são vendidas como orquídeas raras por camelôs em ruas poluídas, ou nos salões impecáveis dos hotéis cinco estrelas.

As moças são de uma morenice provocante e amendoada, todas pequenas e delicadas. Quando são bem altas, é porque são homens. Assim é a Tailândia: o olho precisa estar atento constantemente para distinguir o falso do verdadeiro.

Negocia-se tudo, o tempo todo, e jamais se sabe o preço justo. No mercado noturno de Patpong, em Bangcoc, compram-se réplicas minúsculas de Buda em frente a clubes com o nome sugestivo de Pussy Collection. O clube oferece de portas abertas, moças de biquíni numerado em troca de pouco mais de 10 dólares. As garotas, seminuas, se contorcem em acrobacias sob re o palco e, por trás das cortinas, fazem a célebre “Thai massage”, uma espécie de shiatsu bem pouco inocente. Cabelos pretos escorridos, pele de porcelana, elas se desdobram para satisfazer as fantasias dos turistas alemães e ingleses. O gerente mostra documentos para provar que são todas maiores de 18 anos. E proíbe fotos.

A chegada a Bangcoc já é um sopro incendiário na alma: os 35 graus em março parecem mais de 40. O ar é úmido, como se entrássemos numa estufa tropical. Pode se trocar parte do dinheiro no aeroporto mesmo (1 dólar é igual a cerca de 42 bahts). O trajeto até o centro da cidade denuncia alguns dos sérios problemas da capital tailandesa: a poluição, o crescimento desordenado e o trânsito caótico (soa familiarʔ). Quem quiser alugar carro, desista, porque, além dos engarrafamentos, a mão é inglesa e os veículos têm volante do lado direito.

Difícil conversar com o motorista de táxi. Ele finge que entende inglês e chega mesmo a disfarçar bem. Até que você faz uma pergunta tipo “nos últimos dias tem chovido ou feito solʔ”, e a resposta é: “Yes”, seguida como sempre de muitos risos, o trejeito oriental que pontua qualquer conversa. Quase não se fala inglês, só a língua deles mesmo, que é suave e musical, e que foi criada em 1283 com base nos alfabetos indianos do sânscrito e pali. Quando eles arriscam o inglês, o “r” é substituído pelo “I”, right vira light, e várias sílabas são engolidas. Pedir orientação na rua é um risco, mesmo com mímica. Portanto, mapas detalhados à mão, um razoável senso de direção e um planejamento prévio ajudam o turista a não se perder nas brumas de Bangcoc.

Faz tempo que a Tailândia é sinônimo de magia. No idioma talandês, Bangcoc é uma palavra de 152 letras:

Krungthepmahanakhonamornratanakosinmahintarayutthayamahadilo
kpopnoparatanarajthaniburriromudomrajniwesmahasatarnamornpi
marnavatarsatitsakattiyavisanukamprasit.

Que significa “Cidade dos anjos, grande cidade dos imortais, magnífica cidade do deus Indra, sede do rei de Ayutthaya, cidade dos templos brilhantes, cidade dos esplêndidos palácios e domínios do rei, casa do Vishnu e de todos os deuses”.

Em 1923, o escritor inglês Somerset Maugham delirou duplamente em Bangcoc: primeiro, com o esplendor dos templos e, no dia seguinte, com a febre da malária, que havia contraído na selva. Curou-se e escreveu seu único livro de viagens, The Gentleman in the parlour, cuja primeira impressão de Bangcoc continua atual: “poeira e calor e ar esbranquiçado e mais poeira”. Diante dos templos tailandeses a sensação que relatou também foi a mesma que me invadiu. O ouro, o brilho, as cores fortes, contra um céu absurdamente azul, aquilo tudo não é arte nos padrões que aprendemos no Ocidente. São detalhes mil vezes superpostos que brincam com a fantasia, desafiam a estética. Os artistas, os escultores desses templos que abrigam Budas de oro, esmeralda e jade, “não conheciam reticências nem se preocupavam com o bom gosto”.

Para ir a Tailândia, há quem escolha o turismo seguro das excursões em grupo com guias poliglotas e horários marcados. É uma opção menos apaixonante. Milhares de estrangeiros preferem descobrir o país por si mesmo, e não é tão difícil, porque a população é amável. O principal é saber que, chegando à Tailândia, 12 horas à frente do Brasil, é um desperdício limitar-se a conhecer Bangcoc ou então passar batido pela capital em direção às ilhas ao sul, como fazem tantos alemães. Deve-se evitar a temporada das chuvas, de junho a outubro. Mas o calor é constante. A temperatura média em Bangcoc jamais cai abaixo de 31 graus! Vestidos de algodão fino ou calças de tecido mole, camisetas, sandálias baixas, tênis, chapéu, filtros solares, uma garrafa de água mineral sempre à mão, prudência ao comer, diante de tantas pimentas e iguarias, e muita paciência e sabedoria para negociar preços são requisitos essenciais para que uma viagem deixe apenas lembranças agradáveis.

Uma dica importante: pegue o Skytrain, o metrô aéreo de Bangcoc, para evitar o caos dos engarrafamentos e as extorsões de alguns motoristas de táxi, que simplesmente desligam o taxímetro e pedem o dobro, o triplo do que custa uma viagem normal. Cuidado também quando eles cobram previamente barato demais – é porque vão querer mudar o trajeto e fazer uma parada em lojas de seda ou joias, onde ganham como comissão um tanque de gasolina. Alguns turistas ficam com medo de usar o transporte público, mas o Skytrain é nota 10. Limpíssimo, moderno, com ar-condicionado, eficiente, barato, fácil de usar. Quem está na bilheteria entende inglês, troca suas notas por moedas, e rapidamente você aprende a usar as máquinas e a dominar a cidade.

O preço da passagem depende da distância, varia de 10 bahts a 40 bahts normalmente. O Skytrain funciona até meia – noite. Cobre só uma parte de Bangcoc, mas o melhor lsempre é associar o Skytrain ao transporte de barcos pelo rio Chao Phraya, onde ficam os templos e vários hotéis. Um tipo de transporte urbano típico e irresistível é o tuk-tuk, um carrinho aberto, com três rodas, e que faz maluquices no trânsito. É engraçado especialmente à noite, quando não há engarrafamentos e o calor é menor. O vento bate no rosto, o passageiro tem que se segurar para não voar, e a sensação é, de estar num parque de diversões. Quando o tuk-tuk freia, luzes de várias cores acendem na cara da gente, por trás da poltrona do motorista, um arco-íris kitsch.



































Experiências inesquecíveis em Bangcoc são: as visitas aos templos, um jantar em barco típico no rio Chao Phraya, a massagem tailandesa nos pés (com uma hora de duração), um show de dança tradicional com moças e travestis e os mercados. Desses, dois são paradas obrigatórias. Patpong, à noite, onde as barraquinhas de suvenires na rua lotada se misturam às discotecas e clubes de sexo ao vivo com variações muito criativas; e aos sábados, Chatuchak, o mercado popular dos tailandeses, uma festa familiar de rua, coloridíssima, onde se compra tudo muito mais barato do que em qualquer loja. Ele fica aberto das 7hs às 18 horas. Vá de Skytrain.






O apelo ao consumo na Tailândia é tão forte que se deve fazer um esforço para resistir. Fuja dos shoppings do centro de Bangcoc, moderníssimos e sofisticados, onde os preços são altos e os produtos, menos autênticos.

Para as mulheres, é melhor comprar as sedas e não os vestidos prontos. As echarpes são maravilhosas e os preços variam muito de acordo com a qualidade da seda. Dois tipos de artesanato, Celadon (cor de jade e trabalhado em pátina) e Bencharong (cinco cores), são os mais populares entre os turistas.

Ao passar pela Tailândia não deixe de conhecer as cerimônias e os rituais religiosos. Espalhados pelas ruas, em esquinas sujas, toda hora a gente se depara com altares elaboradíssimos, com oferendas, figuras sagradas, flores... Há mais de 50 festivais por ano, que tratam de tudo; orquídeas, rosas, culinária, e até de kites (pipas) coloridíssima (conta a lenda que algumas delas, feitas de bambu e chamadas ngao kites, vibram para aguentar mais espíritos). O Ano Novo (Songkran) cai no dia 13 ou 14 de abril. Leva-se areia aos templos. Acredita-se que traga saúde e prosperidade. As mudanças de estação também são pretexto para cerimônias. São comuns as boas ações em dias de festa.











Os tailandeses oferecem comida aos monges em casa, libertam pássaros engaiolados, homenageiam os ancestrais. Salpica-se água em todo mundo. Velas, flores e orações acompanham as festas. O wai é a mais típica saudação tailandesa, as mãos se unem como numa prece e curva-se o corpo, mas tudo levemente, sem movimentos bruscos nem exagerados. É uma reverência coloquial, em sinal de respeito – no avião da Thai Airlines, as aeromoças já nos cumprimentam assim.

Dentro da Tailândia, que se estende por 1.600 quilômetros de norte a sul, há férias para todos os estilos. Pode-se escolher um roteiro de aventura, indo para o interior, ou o norte, se quiser conhecer os mestres dos elefantes, caminhar em trilhas, ir a aldeias perdidas no tempo e na névoa. Ou então rumar para o sul, para as ilhas, das quais a mais concorrida é Phuket.
















A fama mudou muito sua paisagem: a praia principal, Patong foi totalmente tomada por barracas e bares, e encheu-se de fachadas com néon. Os safáris no interior da ilha devem ser ignorados: dá até pena ver o estado dos velhos elefantes. A quantidade de turistas e os letreiros em alemão e inglês fazem você esquecer que está na Ásia. Ao há grandes novidades para um brasileiro acostumado a nosso litoral, a não ser as excursões às ilhas. Não caia em armadilhas de excursões em barcos enormes, que servem refeições sofríveis e não permitem mergulhos nos pontos mais desejados, como a praia de Leonardo di Caprio, que fica nas ilhas Phi Phi, perto de Phuket. É imprescindível informar-se antes onde será possível mergulhar.

As melhores excursões são com lanchas para grupos minúsculos ou só para você e sua família. Há voos diretos de Bangcoc. Tudo em Krabi é mais selecionado: hotéis, praias, passeios e restaurantes. Ah, além de sol, seda e sexo, há um quarto “s” que também sintetiza muito bem a Tailândia. O país é conhecido como Terra dos Sorrisos. Muita gente sofre um choque cultural na chegada, mas acaba enfeitiçado. Uma semana depois, começa a sorrir igual aos orientais. De tudo e por nada. Cuidado: isso pode acontecer com você.